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Manifesto Suprimista

outubro 3, 2013

Suprir a necessidade assim como a planta preenche as fendas das calçadas. Cada lugar que vemos que falta algo ou que há excesso ou perturbações do ambiente que precisam ser equilibrados, dando sentido, complementado-as.

Uma segunda harmonia que entra em conflito com a perspectiva da sociedade que pensa puramente na manutenção, se esquecendo da precariedade e maquiagem da mesma. Por pintura nova em carros enferrujados, o que resolve? O que mascara?

A nossa visão é de deixar os problemas a amostra, mas que defeitos sejam mostrados com criatividade e não simplesmente escondidos, deixando o ambiente menos artificial, menos humano. A natureza irá tomar conta no final mas antes a nossa transição artística.

Por exemplo: “esta arte” num banheiro deixa o ambiente “apresentável”, suprindo a necessidade de um ambiente mais agradável, menos nojento. Até quem passar por lá terá um certo orgulho de coexistir um movimento artístico tão próximo e íntimo como nesse local.

Os materiais não são nada profissionais ou apropriados para os outros movimentos urbanos, será amadora com materiais a mão, de fácil acesso, e de fácil remoção.

A arte tem seu tempo, sua validade, sua renovação ou depredação. Não há então metas transcendentais de perpetuá-la pois, o tempo irá corrompe-la e a natureza irá conquistá-la e harmonizá-la.

Há porém a necessidade de referências de sua epifania, de sua reinterpretação, para então vermos o foco e sua origem. Para vermos a trajetória de pensamentos interferindo com as antigas, e as novas se refazendo numa reconstrução que mantenha certa coerência com o seu passado e projeção futura.

E que nossas influências no ambiente tanto são arte para nós como uma denúncia para a sociedade leiga. Digo leiga porque não entendem como arte – nem sabemos a totalidade do que é arte afinal – entretanto por essa ignorância pensam e querem limpar do local aquilo que chamam de depredação ou vandalismo, deixando ironicamente as avarias.

Infelizmente não entendemos o porquê disso, sendo que o local já é um descaso público ou privado e mesmo assim estão mais preocupados com o que nós fazemos! Do que fazemos com as danos decorrentes da falta de manutenção!

Então nos perguntamos se as autoridades previnem ou remediam esses problemas. Pelo que estamos vendo, preferem remediar e então o nosso movimento sempre vai existir até que se mude esse hábito.

Pior é que entendem como um crime contra o patrimônio não zelado nem por eles. Se fossemos para consertar nem diriam “obrigado”. Mas nossa arte é tão provocativa que chama mais a atenção do que o próprio problema estético.

Então os defeitos ou imperfeições fazem parte do nosso meio, tanto no corpo como na sociedade inserida num ambiente artificial humano. Esconde-los é um ato tosco então temos duas opções: mostrar ou consertar.

Nós decidimos mostrar!

O Grito - reinterpretação suprimista

O Grito – reinterpretação suprimista (incompleto)

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