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A Mensagem da Juventude Brasileira

julho 19, 2013

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Artigo de Lula traduzido, integral “The Message of Brazil’s Youth” do NYT

São Paulo – Os jovens, os dedos rápidos em seus celulares, tomaram as ruas ao redor do mundo.

Parece mais fácil de explicar esses protestos quando ocorrem em países não democráticos, como no Egito e na Tunísia em 2011, ou em países onde a crise econômica aumentou o número de jovens desempregados assustadoramente altos, como na Espanha e na Grécia, que quando eles surgem em países com governos democráticos populares – como o Brasil, onde atualmente gozam as menores taxas de desemprego da nossa história e uma expansão sem precedentes dos direitos econômicos e sociais.

Muitos analistas atribuem recentes protestos a uma rejeição da política. Eu acho que é precisamente o oposto: Eles refletem um esforço para aumentar o alcance da democracia, para incentivar as pessoas a participar mais plenamente.
Eu só posso falar com autoridade sobre o meu país, o Brasil, onde eu acho que as manifestações são em grande parte o resultado de sucessos sociais, econômicas e políticos. Na última década, o Brasil dobrou o número de estudantes universitários, muitos de famílias pobres. Nós reduzimos drasticamente a pobreza e a desigualdade. Estas são conquistas importantes, no entanto, é completamente natural que os jovens, especialmente aqueles que estão a obtenção de coisas que seus pais nunca tiveram, devem desejar mais.

Estes jovens não viveram a repressão da ditadura militar nas décadas de 1960 e 1970. Eles não viveram durante a inflação dos anos 1980, quando a primeira coisa que fizemos quando recebemos nossos salários foi correr para o supermercado e comprar tudo o que fosse possível antes dos preços subirem novamente no dia seguinte. Lembram-se muito pouco sobre a década de 1990, quando a estagnação e o desemprego deprimido nosso país. Eles querem mais.

É compreensível que assim seja. Eles querem que as qualidades dos serviços públicos melhorem. Milhões de brasileiros, incluindo os da classe média emergente, compraram seus primeiros carros e começaram a viajar de avião. Agora, o transporte público deve ser eficiente, tornando a vida nas grandes cidades menos difícil.

As preocupações dos jovens não são apenas material. Eles querem maior acesso ao lazer e atividades culturais. Mas acima de tudo, eles exigem instituições políticas sejam mais limpas e mais transparentes, sem as distorções do sistema anacrônico político e eleitoral do Brasil, que recentemente se tem mostrado incapaz de gerir a reforma. A legitimidade dessas demandas não pode ser negadas, mesmo que sejam impossível encontrá-los rapidamente. É preciso primeiro encontrar recursos, estabelecer metas e definir prazos.

A democracia não tem compromisso para se silenciar. Uma sociedade democrática está sempre em fluxo, debater e definir as suas prioridades e desafios, em constante desejo de novas conquistas. Apenas em uma democracia pode ser um índio eleito presidente da Bolívia, e um Africano-Americano ser eleito presidente dos Estados Unidos. Apenas em uma democracia poderia um metalúrgico e uma mulher serem eleitos presidentes do Brasil.

A história mostra que, quando os partidos políticos são silenciados, e as soluções são procuradas pela força, os resultados são desastrosos: as guerras, as ditaduras e a perseguição das minorias. Sem partidos políticos não pode haver uma verdadeira democracia. Mas as pessoas simplesmente não querem votar a cada quatro anos. Eles querem interação diária com os governos locais e nacionais, e participar na definição de políticas públicas, oferecendo opiniões sobre as decisões que os afetam cada dia.
Em suma, eles querem ser ouvidos. Isso cria um enorme desafio para os líderes políticos. Ele exige as melhores formas de engajamento, através da mídia social, no trabalho e nos campi, reforçando a interação com grupos de trabalhadores e líderes da comunidade, mas também com os chamados setores desorganizados, cujos desejos e necessidades não devem ser menos respeitado por falta de organização .

Tem-se dito, e com razão, que enquanto a sociedade entrou na era digital, a política permaneceu no analógico. Se as instituições democráticas utilizarem as novas tecnologias de comunicação como instrumentos de diálogo, e não por mera propaganda, eles iriam respirar ar fresco em suas operações. E isso seria mais eficaz trazê-los em sintonia com todas as partes da sociedade.

Mesmo o Partido dos Trabalhadores, que ajudou a fundar e que tem contribuído muito para modernizar e democratizar a política no Brasil, precisa de profunda renovação. É preciso recuperar suas ligações diárias com os movimentos sociais e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer as duas coisas sem tratar os jovens paternalista.
A boa notícia é que os jovens não são conformistas, apático ou indiferente à vida pública. Mesmo aqueles que pensam que odeiam a política estão começando a participar. Quando eu tinha essa idade, eu nunca imaginei que me tornaria um militante político. No entanto, acabamos de criar um partido político e quando descobrimos que o Congresso Nacional praticamente não tinha representantes da classe trabalhadora. Através da política que conseguimos restaurar a democracia, consolidar a estabilidade econômica e criar milhões de empregos.

É evidente que ainda há muito a se fazer. É uma boa notícia que os nossos jovens querem lutar para garantir que a mudança social continua em um ritmo mais intenso.
A outra boa notícia é que a presidenta Dilma Rousseff propôs um plebiscito para realizar as reformas políticas que são tão necessárias. Ela também propôs um compromisso nacional para a educação, saúde e transporte público, em que o governo federal iria fornecer apoio técnico e financeiro substancial para estados e municípios.
Ao conversar com jovens líderes no Brasil e em outros lugares, eu gostaria de dizer-lhes o seguinte: Mesmo quando você está desanimado com tudo e com todos, não desista na política. Participe! Se você não encontrar em outros, o político que você procura, você pode achá-la em si mesmo.

”FAQ” das Manifestações

junho 27, 2013

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Aparentemente em tom de humor este post mas surgiram algumas perguntas no meios das manifestações… Será minha posição e apesar de grupos mencionados, não respondo por eles apesar de conhecê-los em questões de causa e efeito.

Quando vai acabar as manifestações?
Nunca seria uma palavra forte, quando as exigências forem compridas ou houver algum sinal de mudança teremos que mudar o sentido do protesto. Para mim foi um desperdício fazer uma manifestação só para comemorar a revogação do aumento da tarifa, eu entendo a posição de vitória do MPL mas ainda há muito para se conquistar (dentro do própria causa do movimento), fora dela também temos que entender que ficar fazendo várias manifestações que diluem os participantes, fazendo essa divisão tem que estar em mente e nas ruas o que estão fazendo lá, deixar com uma passeata “padrão” já não é o bastante para chamar as pessoas para ruas, quando houver uma questão selecionada fica mais fácil no sentido de “identificação”(adesão) do propósito das pessoas nesse protesto.
Sobre protestos específicos como os dos “mega” gastos em “mega” eventos do esporte, eu imagino que não irão acabar tão cedo. Em pouco número e em locais apropriados (perto dos estádios) estarão presente para mostrar essa voz rouca, delas eu espero ver em 2016 pois os gastos continuam.
Apesar de minha imaginação prever o esfriamento, a mídia dará o início precoce, diminuindo o tempo de mostrarem esses protestos, além disso há uma tendência a mostrar o vandalismo e abuso policial, dessa forma as manifestações pacíficas e de número reduzido simplesmente não existem pelos olhos da TV.

E sobre os protestos contra/sobre “tudo”?
Esse termo pejorativo usado para diminuir a importância das manifestações num primeiro plano ou seja usado pela mídia como forma secundária de insulto, veio aparecer posteriormente dentro dos protestos supostamente afirmando que muitos que formam o corpo dela “não sabiam o que estavam fazendo lá” e que protestavam por “qualquer coisa” ou “tudo”.
Eventos assim, o último de peso foi aproximadamente 20 anos com o Impeachment do Collor, poderíamos estar à multidão em êxtase em vivenciar algo que pelo menos a juventude queria saber como é, essa curiosidade é grande dado que metade dos participantes não participaram de eventos assim. Mas não estavam tão ingênuos para serem massa de manobra e nem tão espertos para protestos com mais conteúdos e discursos (do que eu senti falta) mas foi clara a iniciativa e continuação dos protestos como o MPL aconselhou: autônomo, apartidário, horizontal.

Não tem porta-voz?
O conselho do MPL continuou nesse sentido, a horizontalidade do movimento tira a necessidade de um “líder” e todos estão por um ou vários motivos. Apesar das caras pintadas e mascaras, a manifestação não tem cara nem discurso.

A Greve Geral do dia 1º de julho?
A 96 anos atrás no mesmo mês ocorria um Grande Greve mas com apoio dos sindicatos e apoio ideológico anarquista. Vamos ver o vai ocorrer nesta de 2013, porque agora parece que não podem mais aceitar isso pois houve denuncias de que os organizadores seria de ultra-direita, etc…

E os anarquistas nas manifestações?
Quando o bloco negro passou, os leigos patriotas nesses protestos gritavam: “sem partido” e devolviam e tom irônico: “anarquismo”. Sim foram hostilizados pela maioria por acreditaram que os símbolos eram relacionados à desordem e que também não deveriam estar lá por carregarem a “ideologia” mas como resposta poderia se afirmar que carregar as bandeiras e cantar o hino nacional seria de origem patriota e depois nacionalista e num extremismo para o fascismo.

Reacionários, nacionalistas e fascistas nos protestos?
Seguindo esse raciocínio, podem ocorrer esses extremismos. O modelo de protesto do MPL fechou vários buracos mas abriu brechas, com o êxtase dos manifestantes, histeria grupal e pensamento coletivo ocorreu esses excessos dos manifestantes.

O que sobrou dos partidos?
Bandeiras partidas. Cenas torpes, desnecessárias mas não foi por causa de conspirações de partidos opostos dessas lutas nas ruas, foi algo mais simples: do apartidarismo dentro dos protestos e mais a insatisfação política com crescente ufanismo (e também aforismo), o apartidarismo se tornou “antipartidarismo” depois os mais nervosos começaram os quebra-quebras de bandeiras e queimar ou rasgar as mesmas em seguida.

Occupy All Brazil

junho 25, 2013

Occupy-Verde-Amarelo

(Aproveitando a alusão de Wall Street por motivos análogos)

Este texto foi uma mistura de discursos, resumos de colóquios e conjecturas que partiram das ruas para nossas casas e enfim num papel.

As manifestações finalmente fazem o coração brasileiro bater mais forte além do que os jogos de futebol, nessas curtas semanas de junho as manifestações se multiplicam por todo país e ao mundo também, solidariamente. Quantos de nós se emocionaram ao saber que aquele estereótipo do brasileiro tem sido quebrado a cada protesto? A última gota d’água transbordou o copo… Não há como sustentar a ideia de que só estão questionando as tarifas, mas sim há mais ampla insatisfação que se imagina (ou o que a mídia não consegue mostrar);

[tópicos] as (1) altas tarifas(ok), (2) contra os mega investimentos esportivos (para a Copa do mundo, Olimpíadas, etc),(3) contra a corrupção e impunidade, contra (4) repressão policial, (5) contra a censura/manipulação midiática, (6) contra a PEC 33, 37(ok) e 99,(7) direito de protestar,(8) protestos pedindo melhorias em setores deficitários como na saúde, educação, transporte (dentre outras áreas).

Críticas ao ativismo revolucionário (pró-violência): não é momento adequado pois ainda temos recursos para dialogar com o governo e que eles mudem alguma. Além disso, a violência está muito distante da realidade, muitas tarifas de regiões do Brasil já foram reduzidas (a última a de SP). Também se seguimos uma ordem de manifestações as pacificas e populares e partidárias são as primeiras a ocorrer depois ocorrerá à adesão de sindicatos e posteriormente greves gerais. Se o governo ainda optar em não reagir, ai sim depois de semanas de manifestações, boicotes, etc…o uso da violências mas, não será voltada ao povo ou a policia(que é apenas o braço repressor/controle) mas aos nossos representantes, aos políticos que se esqueceram do seu ofício, ou seja, danos à propriedades publicas e privadas afeta bem menos do que um dano “político”.

Críticas à repressão policial: nas primeiras manifestações e isso volto muito no tempo, em 2004/5 que com a pouca adesão da população apenas os grupos como a Revolta do Buzú e a própria MPL (Movimento Passe Livre) que se originou dessas manifestações que estavam lá e em pouco numero foi fácil o controle dos polícias e de demasiada violência. Não foi diferente nas primeiras manifestações de junho de 2013, bombas de efeito moral, spray de pimenta, gás de lacrimogêneo e balas de borracha eram suas respostas. Na mídias em primeira mão foi entendido essa forte resposta pois supostamente os manifestantes estavam sendo “vândalos”, “baderneiros”, “vagabundos”. Porém posteriormente vários repórteres foram feridos e os veículos de comunicação não poderiam manter o mesmo discurso senão estaria afirmando que seus próprios funcionários eram “bandidos”. A força policial abusou de seu poder, foi necessário o inicio de apurações e sindicâncias além da proibição (sic) das balas de borracha.

Aos manifestantes partidários ‘presentes’: é claro que todos estão convidados aos protestos mas temos que lembrar que o movimento é apartidário, entendemos seu apoio mas não o levante de bandeiras. Muitos de vocês fazem parte das militâncias, células bases desses partidos mas acredito que essa hierarquia está muita verticalizada para a representação de seu partido aqui, estamos juntos à a uma representação da democracia direta que saímos as ruas pois os representantes (em sua maioria) não estão presentes e poucos carregam suas bandeiras na mãos (talvez na camisa). Pensem que quem faz o partido é a militância mas quem faz as manifestações são todos.

O primeiro discurso da presidente foi muito fraco e dos governadores deprimente. Dilma se esqueceu que não é como Lula que só comenta e se esquece que ela é a nossa máxima representação, discursar não mas agir. Já os governadores vão anotar nossas reclamações mas perai, se estamos protestando por isso, isso não é novidade alguma, não sabiam?

Depois no segundo discurso pelo menos foi lançado algo mais concreto do que suas limitações políticas e econômicas não puderam fazer antes, os pactos e a possibilidade dos plebiscitos.

Ronaldo Fenômeno disse que “não se faz copa do mundo com hospitais” ridículo esse comentário mas vamos entender o porquê. Os ingressos para área Vip da copas das confederações não conseguiram vender de inicio para o publico europeu, assim vou chamado o “embaixador” para convencer alguém de lá a comprar, lembrando que estão passando por um crise enorme e há altos índices dívidas e desemprego.

E Joseph Blatter disse dentre outras; “Junto com os estádios há outras construções: rodovias, hoteis, aeroportos… São itens do legado para o futuro. Não é apenas para a Copa do Mundo.” Muita ingenuidade Sr. Blatter… Construímos apenas estádios para o nosso legado o resto citado é “reaproveitado” e também a qualidade que é reduzida.

Também disse Pelé; “Vamos esquecer todas essas manifestações e vamos apoiar a seleção.” Como ele é rei, por que se preocupar com os problemas da plebe?