Archive for the ‘Poemas’ Category

A ironia de Sêneca

maio 2, 2014

Se estivesse vivido na época de René Descartes, e ouvido a frase: “penso, logo existo”, Lucio Anneo Sêneca, teria feito mais uma sátira romana depois de Apocolocyntosis divi Claudii. Seria baseada nas suas epístolas (cartas) sobre a brevidade da vida (que virou livro), e continuaria a citação do outro filósofo criticando-a no mesmo formato porém poeticamente.

Num bar alguém finaliza: Penso, logo existo!* Acompanhei a frase e com meu raciocínio, simplista conclusão e rebato: Faço, logo vivo! Inconformado, Descartes reclama: Não faço, logo penso. Reflito: Não penso, logo o ócio. Durante a réplica com a atenção do público, digo: No ócio, logo o desperdício! Como não houve o protesto, termino: No desperdício, logo não vivo!

 *A citação é uma conclusão após duvidar da sua própria existência, mas comprovada ao ver que pode pensar e, desta forma, conquanto sujeito, ou seja, conquanto ser pensante, existe indubitavelmente.

Mostro essa hipótese porque Sêneca tinha um pensamento mais profundo sobre a existência, que era muito mais que prová-la mas de como vive-la. Eu poderia resumir assim; que vivemos essa vida mas pouco tempo só para nós, disponibilizamos mais para os estudos, trabalhos e muitos vícios e inutilidades que se somássemos esses desperdício, segundo Sêneca, teríamos poucos anos de vida.

Um aviso que ressalto aqui é do Rodrigo Petrônio (professor, formado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP) que: “muitos diluem o sentido mais profundo de sua obra”. Por isso ao ler tenha precaução, poderia citar várias frases de Sêneca mas por esse mídia segmentada, iria cortar muito o valor das frases dele nas cartas e estragar a imagem da obra.

Ode ao Nós

setembro 8, 2013

* Em alusão ao poema de Mario de Andrade “Ode ao Burguês”  (mantendo a cacofonia)

Nas passeatas de talvez um novo Brasil
De novos dias, claros com céu anil
O pensamento era um tanto vazio

Futebol, futebol, futebol…

Mas nesse caminho torto
Os jovens estavam passando
Muitos considerados como tontos

Coação, coação, coação…

Não é de surpreender
Que isso ia acontecer
Porém, estávamos questionando o poder

Coerção, coerção, coerção…

Gritávamos algo do tipo:
O Povo unido não precisa de partido!
Confundiram-nos com o vermelho comunismo e repetimos:

Anarquismo, anarquismo, anarquismo…

Depois voaram pedras
E voltaram tiros detrás
E alguns começaram a gritar:

É pra parar, é pra parar, é pra parar…

E ai tudo aconteceu
Ficamos surdos
Projeteis no céu

Não pare de correr, não pare de correr, não pare de correr…

Os prédios se curvaram sobre nós
E a chuva de estilhaços de vidro diante de nós
Uma nuvem espessa no luar, que me senti flutuar

Não coça o olho, não coça o olho, não coça o olho…

Bombas explodindo atrás de nós
Polícias ao nosso redor
Os PM’s dando cassete em nós

Não bate em nós, não bate em nós, não bate em nós…

Ao Mesmo Assumpto e na Mesma Occasião

abril 24, 2010

Demorei para postar… mais tarde do que nunca !

*

Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
Cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Gregório de Matos