O Subjetivismo no Simbolismo e um quadro não pintado

Quadro_branco_simbolista

Uma ficção que remonta o passado das vanguardas modernistas europeias, especificamente o simbolismo.

Base Teórica

Os simbolistas procuram saber do interesse particular e individual do que pela visão geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e, sim, está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém, mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do “eu” e buscam o inconsciente, o sonho.

Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso. O fato de preferirem as palavras névoa, neblina, e palavras do gênero, transmite a ideia de uma Obsessão pelo branco (outra característica do simbolismo) como podemos observar no poema de Cruz e Sousa:

“Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!… Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas… Incensos dos turíbulos das aras…

-Wiki

Introdução

Por essa razão do “branco”, a dramaturgia feita em aula se passará numa exposição de artes plásticas no qual um quadro num cavalete é completamente branco, na máxima da pintura simbolista pois, o subjetivismo mostrará nessa quadro a visão particular das pessoas que vem de “dentro” (do inconsciente) então cada um verá algo além do branco.

O enredo ocorre entre um pintor e um crítico de arte, sobre o por que de um quadro “vazio”. A cena ocorre numa exposição de arte em Paris no século XIX, no Salão dos Recusados já que os artistas modernistas se opunham ao modelo da Academia e, portanto, ao Salão de Paris. Com uma tendência de movimento artístico: o simbolismo, esse artista desconhecido e que talvez nunca tivesse existido, apresenta uma novidade para o mundo, que também nunca tiveram coragem de expor, mas o crítico de arte, conservador da Academia irá se opor, e assim se inicia o conflito…

Peça

[Legenda: C – crítico A – artista]

C – (passando pela sala olhando para a classe como se fossem quadros e se depara com o quadro “branco” e indignado fala: – Que coisa é essa?

A- Messe suas palavras, Monsieur! Essa é uma pintura simbolista…[ele é interrompido]

C-(Coloca a mão na cara e dá uma risada sarcástica) tsc Uma pintura?!
Vocês “artistas” (fazendo as aspas com as mãos) acham mesmo que isso é uma arte? Quando seu quadro foi recusado, não acreditamos que teria coragem de expor. Então, o que você acha que fazem com quadros assim? São P-I-N-T-A-D-O-S, sabe, pegar uma tinta e um P-I-N-C-E-L? [mexendo uma das mãos pintando o ar]

A – Me poupe de sua arrogância desse academismo retrógrado e bitolado, de fazer a arte de uma só forma, imitando os antigos como seus paradigmas engessados. Não aguentamos mais essas regrinhas, muitos movimentos estão explodindo pelas ruas de Paris e vocês recusando todos, a Academia não é mais o ápice e sim aqui , no futuro das inovações.

C – Ah, novidades…Uh, e o que tem de novo num belo quadro em B-R-A-N-C-O?

A – Eu sei que na sua visão limitada, preconceituosa apenas vê mas não sente a obra. No nosso caso, no caso simbolista não importa mais a realidade, dessa visão objetiva de que é branco e acabou. Esse medo sobre a novidade eu percebo nos seus olhos, mas nós vemos muito mais que cores, “vemos” sentimentos até mesmo no branco. O branco na realidade é a porta do subconsciente onde cada pessoa verá algo de diferente no mesmo plano. Essa é a nossa máxima: a particularidade do ponto de vista de um único indivíduo buscando o seu “eu” dentro dessa tela. E então, o que o Monsieur vê agora?

C – O que eu vejo? Eu vejo que precisa de mais um detalhe… [pega uma caneta]

A – O que vai fazer?

C – Vou lhe mostrar o que é A-R-T-E! [aproxima a caneta na tela]

A – Nãooooo

Para cada um, cada movimento artístico, esse quadro teria um significado: para os conservadores, uma tela a ser pintada. Para os impressionistas, a luz. Aos expressionistas a melancolia do tédio monocromático. Para os surrealistas uma nuvem. Para os psicodélicos tudo, menos o branco…Talvez por isso esse quadro jamais existiu ou existirá (exceto o Quadrado Negro de Kazimir Malevich do suprematismo de 1915)

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