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O Subjetivismo no Simbolismo e um quadro não pintado

setembro 25, 2013

Quadro_branco_simbolista

Uma ficção que remonta o passado das vanguardas modernistas europeias, especificamente o simbolismo.

Base Teórica

Os simbolistas procuram saber do interesse particular e individual do que pela visão geral. A visão objetiva da realidade não desperta mais interesse, e, sim, está focalizada sob o ponto de vista de um único indivíduo. Dessa forma, é uma poesia que se opõe à poética parnasiana e se reaproxima da estética romântica, porém, mais do que voltar-se para o coração, os simbolistas procuram o mais profundo do “eu” e buscam o inconsciente, o sonho.

Para interpretar a realidade, os simbolistas se valem da intuição e não da razão ou da lógica. Preferem o vago, o indefinido ou impreciso. O fato de preferirem as palavras névoa, neblina, e palavras do gênero, transmite a ideia de uma Obsessão pelo branco (outra característica do simbolismo) como podemos observar no poema de Cruz e Sousa:

“Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!… Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas… Incensos dos turíbulos das aras…

-Wiki

Introdução

Por essa razão do “branco”, a dramaturgia feita em aula se passará numa exposição de artes plásticas no qual um quadro num cavalete é completamente branco, na máxima da pintura simbolista pois, o subjetivismo mostrará nessa quadro a visão particular das pessoas que vem de “dentro” (do inconsciente) então cada um verá algo além do branco.

O enredo ocorre entre um pintor e um crítico de arte, sobre o por que de um quadro “vazio”. A cena ocorre numa exposição de arte em Paris no século XIX, no Salão dos Recusados já que os artistas modernistas se opunham ao modelo da Academia e, portanto, ao Salão de Paris. Com uma tendência de movimento artístico: o simbolismo, esse artista desconhecido e que talvez nunca tivesse existido, apresenta uma novidade para o mundo, que também nunca tiveram coragem de expor, mas o crítico de arte, conservador da Academia irá se opor, e assim se inicia o conflito…

Peça

[Legenda: C – crítico A – artista]

C – (passando pela sala olhando para a classe como se fossem quadros e se depara com o quadro “branco” e indignado fala: – Que coisa é essa?

A- Messe suas palavras, Monsieur! Essa é uma pintura simbolista…[ele é interrompido]

C-(Coloca a mão na cara e dá uma risada sarcástica) tsc Uma pintura?!
Vocês “artistas” (fazendo as aspas com as mãos) acham mesmo que isso é uma arte? Quando seu quadro foi recusado, não acreditamos que teria coragem de expor. Então, o que você acha que fazem com quadros assim? São P-I-N-T-A-D-O-S, sabe, pegar uma tinta e um P-I-N-C-E-L? [mexendo uma das mãos pintando o ar]

A – Me poupe de sua arrogância desse academismo retrógrado e bitolado, de fazer a arte de uma só forma, imitando os antigos como seus paradigmas engessados. Não aguentamos mais essas regrinhas, muitos movimentos estão explodindo pelas ruas de Paris e vocês recusando todos, a Academia não é mais o ápice e sim aqui , no futuro das inovações.

C – Ah, novidades…Uh, e o que tem de novo num belo quadro em B-R-A-N-C-O?

A – Eu sei que na sua visão limitada, preconceituosa apenas vê mas não sente a obra. No nosso caso, no caso simbolista não importa mais a realidade, dessa visão objetiva de que é branco e acabou. Esse medo sobre a novidade eu percebo nos seus olhos, mas nós vemos muito mais que cores, “vemos” sentimentos até mesmo no branco. O branco na realidade é a porta do subconsciente onde cada pessoa verá algo de diferente no mesmo plano. Essa é a nossa máxima: a particularidade do ponto de vista de um único indivíduo buscando o seu “eu” dentro dessa tela. E então, o que o Monsieur vê agora?

C – O que eu vejo? Eu vejo que precisa de mais um detalhe… [pega uma caneta]

A – O que vai fazer?

C – Vou lhe mostrar o que é A-R-T-E! [aproxima a caneta na tela]

A – Nãooooo

Para cada um, cada movimento artístico, esse quadro teria um significado: para os conservadores, uma tela a ser pintada. Para os impressionistas, a luz. Aos expressionistas a melancolia do tédio monocromático. Para os surrealistas uma nuvem. Para os psicodélicos tudo, menos o branco…Talvez por isso esse quadro jamais existiu ou existirá (exceto o Quadrado Negro de Kazimir Malevich do suprematismo de 1915)

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O Lugar dos Sonhos

setembro 24, 2013

Cai num lugar, “Sem-nome-sem-lugar”, o limbo onírico onde sou levado para algum tipo de reflexão ou respostas. A primeira vez que me encontro lá estou com um filósofo de arquétipo da antiguidade, com uma túnica branca como sua barba e cabelo. Ele disse que estava lá por respostas mas me questionava infinitamente dizendo que as encontraria dentro de mim. No final eu que obtive conhecimento…

Na segunda vez me reencontro com o mesmo , mas está acompanhado com um homem semelhante apenas superficialmente, pois estavam discutindo a dias. O segundo pelo que entendi era sofista. Estavam num impasse, então o filósofo me perguntava com quem concordava e por quê. Já o sofista me afirmava que ambos falavam alguma verdade mas que cada um mentia, omitindo a verdade. Mas a que motivo então dizer com quem eu concordava ou não? O convencimento estava além da razão…

Na terceira, estou com uma artista, que tinha dois quadros um pronto e outro sendo pintado, ambos influenciavam o ambiente. Mas sempre no mesmo lugar: num banco de uma praça circular com centro com plantas, envolta de prédios altos e amarelos. Então os quadros apresentavam o conceito mas tinha algo a mais, o sentimento…

Na quarta, com um Xamã, que dançava sem musica ou canção parou e me olhou sabendo da minha preocupação. Me respondeu que estava em transe, com aqueles movimentos mudava de sintonia com o universo ou algo além de seu corpo e entrava em contato com outras energias. Me mostrou outras implicações que envolviam a fauna e flora. Então objetos e seres vivos tinham novos significados…

Na quinta, apareceu um homem elegante e idoso que tinha peças, ferramentas, mecanismos e máquinas ao seu redor. Ele me mostrou sua manipulação com aqueles objetos fazendo-os se encaixarem e funcionarem. Desmontando-os e mostrando cada detalhe daquele conhecimento. Física, engenharia, lógica, e tudo mais, além de mim de ser capaz de lembrar mas sabia como e porque funcionava. Mas ai que terminou com essa demonstração, fez com que desaparecessem os objetos, e distorcia o local onde estávamos. Tive controle do ambiente onírico…

Na sexta e última grande interação com aquele mundo, me percorreu um pequeno calafrio pois vi quase todos os pesadelos mas o escuro é que me perturbava. Aquela ansiedade me torturava prevendo alguma coisa aparecendo de algum lugar naquela nuvem densa de escuridão. No caminhar em vão, não percebendo o chão nem o quanto tempo dessa situação, encontrei um espelho. Então nele fitei os olhos no reflexo dos outros olhos, mas quando me olhei por muito tempo para o espelho, o espelho olhou para mim. E percebi que não era um espelho e coloquei a mão, aquele reflexo me acompanhou em movimento mas eu pude tocá-lo e empurrá-lo para dentro. O espelho retangular com moldura começou a dissipar meu reflexo e a bilhar dentro de si. Soltei o quadro e ele começou a crescer até que o local de escuro não existia mais e sim apenas o branco (também comum esse “espaço” nessa “realidade”). Do inverso do espelho, agora pude ver qualquer ser que achasse que visse. Tive controle dos personagens do onírico e portanto o pleno controle.

matrix-arquiteto

Ode ao Nós

setembro 8, 2013

* Em alusão ao poema de Mario de Andrade “Ode ao Burguês”  (mantendo a cacofonia)

Nas passeatas de talvez um novo Brasil
De novos dias, claros com céu anil
O pensamento era um tanto vazio

Futebol, futebol, futebol…

Mas nesse caminho torto
Os jovens estavam passando
Muitos considerados como tontos

Coação, coação, coação…

Não é de surpreender
Que isso ia acontecer
Porém, estávamos questionando o poder

Coerção, coerção, coerção…

Gritávamos algo do tipo:
O Povo unido não precisa de partido!
Confundiram-nos com o vermelho comunismo e repetimos:

Anarquismo, anarquismo, anarquismo…

Depois voaram pedras
E voltaram tiros detrás
E alguns começaram a gritar:

É pra parar, é pra parar, é pra parar…

E ai tudo aconteceu
Ficamos surdos
Projeteis no céu

Não pare de correr, não pare de correr, não pare de correr…

Os prédios se curvaram sobre nós
E a chuva de estilhaços de vidro diante de nós
Uma nuvem espessa no luar, que me senti flutuar

Não coça o olho, não coça o olho, não coça o olho…

Bombas explodindo atrás de nós
Polícias ao nosso redor
Os PM’s dando cassete em nós

Não bate em nós, não bate em nós, não bate em nós…