É uma cilada Bino!

*Frase proferida no seriado “Carga Pesada” com personagens caminhoneiros Pedro e Bino

A Era Juscelino Kubitschek foi um marco na industrialização do Brasil, por parte da entrada de empresas estrangeiras, de pólos industriais que tinham benefícios fiscais para as indústrias se fixarem nessas regiões e facilitando o adensamento populacional e sua urbanização. Também nessa época foi privilegiado o transporte de caminhões, formando uma grande teia de rodovias tentando ligar todas as regiões desse imenso país.

Recentemente essa escolha crucial se mostra cada vez mais problemática. Em princípio foi para incentivar a indústria automobilística a se fixar e produzir numa escala muito satisfatória (que é compatível até hoje). Todavia, esse sistema de transporte é em curto e médio prazo mais eficiente e barato (custo de implantação) do que os outros, entretanto, esse sistema foi superestimado, valorizado e beneficiado, inibindo os outros. Hoje estamos sofrendo deficiências no fluxo rodoviário e em sua logística. Empresas desse ramo não conseguem lidar com a alta tecnologia nos caminhões e na capacitação de profissionais além de pagarem salários justos. A escolha que está sendo tomada é de reduzir a frota e terceirizar a função.

Ao invés de investir na empresa e lidarem com a responsabilidade total do transporte, contratam caminhoneiros autônomos que ficam responsáveis pelo transporte e custos inerentes da operação. Pela logística falha, é reduzido o tempo de entrega do produto que forçam os caminhoneiros a viajarem sem o devido descanso e alimentação, fazendo com que usem drogas estimulantes (os populares “rebites”) para que passem mais tempo na estrada, que inevitavelmente podem causar acidentes. O caminhoneiro não tem um trabalho “saudável” pois sendo terceirizado tem seu próprio caminhão e pela carga, ganha pouco, dorme quase nada e se alimenta mal.

Hoje a indústria automobilista assim como outras indústrias estão reduzindo a mão-de-obra devido a terceirização e melhoras nos equipamentos que absorvem menos trabalhadores, o que chamamos de desindustrialização. Esse setor não é mais o centro de demanda de funcionários (ainda que hoje tenham muitos colaboradores) essa quantidade tende a se reduzir.

O sindicato teve um grande papel nos direitos trabalhistas melhorando as condições e salários dos operários mas os empresários não vêem com bons olhos a tendência desse controle sindical sobre os trabalhadores, de usarem de métodos prejudiciais de negociação como as paralisações e greves.

A desindustrialização também tem outra consequencia como à descentralização industrial que busca melhores benefícios fiscais e lugares estratégicos (fácil acesso, mão-de-obra barata) para se fixarem, assim como o distanciamento de um sindicato organizado central.

Os portos também sofrem com esses reflexos, antes com o anarco-sindicalismo portuário (década de 20), hoje com os sindicatos centralizados, o custo é alto e os investimentos privados/públicos de infraestrutura (como uma ampliação) ou a abertura de novos portos não são correspondentes com a realidade, tanto que num caso específico a China cancelou a importação de soja do Brasil pois a demora do congestionamento de caminhões que estavam indo para o porto de Santos ultrapassou o tempo limite, revelando uma das deficiências “comuns” desse sistema.

Em suma um assunto muito amplo, rico em variáveis que ficaríamos discutindo horas ou dias seus fatores. E se perguntado ao governo federal, o que está sendo feito ele dirá que está preocupado e que estão fazendo os investimentos necessários ( estamos ouvindo isso à décadas sem nenhum resultado concreto).

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